domingo, 5 de novembro de 2023

Campeão da Libertadores

Sabe quando o tempo para?

Hoje é dia 4 de novembro de 2023.

Nesse momento, tenho 33 anos, uma relação absolutamente estremecida com Deus ou qualquer tipo de fé.

Eu não sei no que eu acredito, mas alguma coisa acredita na nossa história e a escreve caprichosamente.

O metafísico e o futebol normalmente são íntimos, mas o sobrenatural e o Fluminense se pertencem.

Se eu tivesse um desejo, seria voltar no tempo e contar tudo isso pra mim lá em 2008, quando tudo era só tristeza.

A Libertadores 2023 inteira foi uma prova de que tava escrito.

A classificação na fase grupos no último jogo com uma partida assustadora contra os peruanos, os dois gols mágicos do Samuel. Contra Inter? Foi sacanagem!

Contudo, a minha relação com Deus continua estremecida, mas a história não deixa de ser escrita por isso. 

Entre tantos tricolores que mereciam estar nessa final, eu tive a honra. Ninguém me convence que isso foi sorte. Era pra ser. 

Era a oportunidade de cicatrizar aquela ferida que eu achei que nunca fecharia.

Novamente eu queria voltar no tempo e dizer: "Calma, garoto, sua hora vai chegar."

No caminho para o jogo encontrei uns rivais dizendo que torceriam para o Fluminense. Eu fingi que acreditei, eu lembro bem a torcida deles em 2008.

O Maraca estava lindo. E só chama de "Maraca" quem é carioca, patrimônio do Rio de Janeiro. Com todo respeito aos argentinos, mas que fiquem com a sua La Bombonera pra lá.

Reencontrei amigos que estavam lá em 2008. Esses reencontros também estavam escritos.

Na hora de subir aquela rampa novamente, eu não voltei no passado pra contar pro moleque lá de 2008, mas é como se ele me pegasse pela mão e me guiasse para arquibancada.

O roteiro do jogo é que começou diferente de 2008. O Cano marcou no primeiro tempo. 

Eu não me apego a esse tipo de ilusão de que o Fluminense seja capaz de conquistar qualquer coisa com tranquilidade. Eu não escrevi a história, mas eu sei como funciona. 

Pasme, o gol me deixou até mais nervoso. Passei o resto do jogo esperando pelo golpe que viria, pra depois o herói se levantar e ter o final épico. Porque é assim que tá escrita toda história do Fluminense. É sempre difícil, sofrido, fica que ama muito. 

Veio o golpe. Eu sabia que ele viria, mas que porrada. É foda quando a gente espera o golpe e mesmo assim ele te derruba.

O roteirista do universo tem essa mania de brincar com o coração dos tricolores. Prorrogação de novo? Por que tanto sofrimento?

Porque tá escrito que o destino de todo tricolor é lutar até o fim, ser guerreiro e esperar. Quem espera sempre alcança. 

O John Kennedy mais importante da história sabe disso.

Sabe quando o tempo para?

O sobrenatural, o metafísico. A história estava escrita. 

Um preto tricolor em uma competição marcada pelo racismo. A bola morreu no fundo da rede e matou também toda aflição. 

A cicatriz fechou depois de tanto tempo, as lágrimas, gritos, abraços, soluços. O garoto de 2008 abraçou o homem de 33.

Aliás, nos meus 33 anos de vida eu ouvi muito que eu me esforço demais pelo Fluminense e ele não me dá nada. "É só futebol"

Hereges.

Nesse dia 4 de novembro de 2023, o Fluminense me deu tudo.

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Mãe de craque holandesa do vôlei diz que já esperava apoio de brasileiros

A Holanda começou com o pé direito sua trajetória no vôlei feminino. Dentro de quadra uma vitória suada contra a China, por 3x2. Na arquibancada, familiares das atletas holandesas e torcedores brasileiros se uniram para ajudar a conduzir a Holanda à vitória.
Entre os mais animados estavam os familiares da craque Anne Buijs, melhor ponteira do último campeonato europeu de seleções e do Master de Montreux. Além disso, Buijs foi umas das principais atletas no pré-olímpico que classificou sua seleção para as Olimpíadas.
Foto: José Alessandro
Embora o jogo fosse da Holanda, curiosamente, os brasileiros comemoravam todos os pontos da seleção europeia. Entretanto, a preferência pelas meninas holandesas não surpreendeu Irene Buijs, mãe de Anne. Ela acredita que a simpatia da equipe encantou o povo brasileiro. Além disso, Anne Buijs está de malas prontas para jogar a Super Liga 2016/2017 pelo Rio de Janeiro, mais um fator preponderante para o apoio dos cariocas.
- No fundo, eu já esperava um pouquinho pelo apoio dos Brasileiros ao time holandês. São garotas simpáticas. É um time novo. A Anne joga para o time de vôlei do Rexona no Brasil. Pensando em todos estes itens, imaginei que teríamos o apoio da torcida – Concluiu Irene.

O talento vem de família.

Teun Buijs, pai de Anne, também fez sucesso no vôlei. Buijs começou aos 14 anos e na década de 80 foi seis vezes campeão holandês e por pouco não foi campeão da Taça Europa de Clubes. Nos Jogos de Seul em 1988, fez parte da equipe que terminou em quinto lugar. Ao todo tem 321 participações internacionais.

Em 1991, Buijs decidiu virar treinador. No VV Zaandstad treinou a filha quando ela estava dando os primeiros passos no vôlei. Hoje, na arquibancada, o pai apenas observa e torce para a filha conquistar o título que ele não conquistou. 

Na esquerda, Irena Buijs de chapéu. Ao seu lado o marido Teu Buijs

segunda-feira, 27 de junho de 2016

Guardiola melhor treinador ou jogador? : “Fico com 50% para cada lado”, diz pupilo do treinador

Thiago Oliveira, que fez estágio com Guardiola, garante que treinador não teve vida fácil no Barça e que transformou o Bayern em potência

Thiago Oliveira, jovem treinador de apenas 35 anos, já tem experiências de invejar muitos treinadores cascudos. O comandante da Caldense pôde acompanhar de perto os passos de Joseph Guardiola, como jogador e treinador. Os dois se conheceram em 2004, quando jogaram juntos no Al-Ahly. Recentemente, Thiago teve o privilégio de fazer um estágio com Pep, que hoje é um dos melhores treinadores do mundo.

Guardiola brilhou intensamente enquanto jogava futebol. E, atualmente, demonstra ser um treinador muito competente. Ao ser questionado se o companheiro foi melhor como jogador ou treinador, Thiago Oliveira prefere ficar em cima do muro. Mas garante que no fundamento de passe, foi o melhor que jogou ao seu lado.

– Ficou oito anos sendo capitão do Barcelona. Não é fácil. Foi um bom jogador. Em termo de passes, foi melhor jogador que eu joguei. Era acima da média. E como treinador também. Fico com 50% para cada lado.

Enquanto jogou no Barcelona, Pep Guardiola ganhou muitos títulos. Foi campeão da Champions League 1991-92 e venceu seis vezes o Campeonato Espanhol. Como treinador, a primeira oportunidade também foi no time Catalão. Embora muitos pensem que tenha sido fácil treinar um time recheado de estrelas, Thiago Oliveira discorda e diz que o treinador pegou o Barça em uma época difícil.

– Vejo muitas pessoas falarem que é fácil treinar o Barcelona. Quando ele assumiu o time, nem na Champions estavam. Estavam muito mal com o Frank Rijkaard. Ele transformou a equipe apostando em novos jogadores, trocando até o Ronaldinho Gaúcho que era o ídolo do clube.

Na temporada de 2013, Guardiola teve outro desafio como treinador. Assumiu o Bayern de Munique, que na época era o grande papa títulos da Europa. Thiago Oliveira acredita que mesmo não tendo conquistado uma Champions League, Pep transformou a equipe alemã em uma potência.

-Seria muito cômodo ele manter o esquema tático. Ele ousou. Mudou praticamente tudo em um time que dificilmente tem mudança. Claro que faltou a Champions pra ele, mas fez um ótimo trabalho. O Bayern era um grande time e o Guardiola transformou em uma potência – Concluiu Thiago.

terça-feira, 29 de março de 2016

E a renovação da Seleção ?

A Seleção de Dunga continua sendo motivo de dor de cabeça para os brasileiros. O ex-capitão assumiu o cargo de treinador após a tragédia de Belo Horizonte. O fatídico 7x1. Muitos bradavam por renovação no elenco, e houve. No entanto, o futebol desempenhado é o mesmo.

A proposta de reformulação veio justamente da CBF. Mas, ao que tudo indica, a entidade esqueceu de reformular a comissão técnica. Aliás, este vêm sendo um hábito já praticado há muito tempo. Em qualquer fracasso da Seleção Brasileira o torcedor e a grande mídia sugerem uma renovação dos atletas. “Tal jogador está muito velho e não serve mais”. “Aquele outro só joga bem no clube e não serve para a Seleção”. E entre os treinadores, existe renovação?

Em 22 anos, de 1994 até hoje, é sempre a mesma turma que comanda a Seleção. Em 1994 foram Parreira e Zagallo. Em 1998, mais uma vez o velho lobo esteve no comando. Em 2002 começou a família Scolari. Em 2006, Parreira e Zagallo voltaram para a Copa da Alemanha. Na Copa de 2010, a CBF surpreende e chama Dunga. Nunca havia treinado nem time de várzea. Mas, por anos foi capitão da Seleção comandada por quem? Parreira e Zagallo. E finalmente, na Copa de 2014 retorna Felipão. 
Passou Romário, passou Ronaldo e chegamos a era Neymar. Mas a monarquia da comissão técnica permanece. Obviamente, todos os treinadores citados têm algo em comum: Todos tem uma grande história no futebol, mas todos estão ultrapassados. Para servir de exemplo, antes de assumir a Seleção em 2014, Felipão rebaixou o Palmeiras. 

Atualmente, no cenário brasileiro existem treinadores capazes de assumir esse desafio. Tite foi campeão do mundo pelo Corinthians. Cuca conquistou a Libertadores pelo Galo. Há um tempo, Muricy conquistou três Brasileiros e uma Libertadores. Entre os mais recentes, Marcelo Oliveira foi bicampeão brasileiro pelo Cruzeiro. Ainda há uma infinidade de promessas espalhadas pelo Brasil. Treinadores dedicados e com anos de estudo. Aliás, para fazer parte da comissão técnica da Seleção Brasileira é necessário conhecer o futebol moderno, e não ter sido campeão no século passado. Caso continue assim, seguirá o baile da Alemanha, Paraguai, Uruguai...

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Ézio, Super Ézio

Maracanã, 1x0 Fluminense, gol de Ézio. Super Ézio!

O tempo não me permite lembrar o adversário, mas jamais poderei esquecer o herói que me fez comemorar o primeiro gol no Maracanã.

Era uma tarde de domingo, quando pisei pela primeira vez no palco que se tornaria minha segunda casa. Eu, meu avô e seu inseparável radinho de pilhas fomos tomados por uma nuvem de pó-de-arroz quando o time entrou em campo. Memórias que o tempo não apaga.

O que também não se apaga é a lembrança do primeiro gol. Quando cheguei em casa, me perguntavam: Quem fez o gol? Eu, cheio de entusiasmo dizia : Ézio, Super Ézio. Não demorou e o menino sonhador, apaixonado por futebol, queria ser Super Ézio. Afinal, todo pequeno torcedor merece um herói, sobretudo, aqueles tricolores nascidos nos terríveis anos 90.

Há 4 anos meu primeiro herói se foi. Novo! Com apenas 45 anos,  faleceu
vítima de Câncer, mas deixou sua marca. Fez 119 gols com a camisa mais sagrada do futebol e deu muitas alegrias aos sofridos tricolores nascidos nos anos 90. Não à toa, o grande narrador Januário de Oliveira deu-lhe o título de Super Ézio.

Obrigado por um dos momentos mais marcantes da minha vida.
Valeu Super Ézio!

terça-feira, 17 de junho de 2014

                                                       Suicídio Tático brasileiro

Não basta ter a disposição os melhores jogadores, se não houver uma disposição tática adequada para organizar o time. O que foi visto na partida de hoje, foi o domínio de uma equipe extremamente inferior sobre uma equipe melhor, porém desorganizada. Os problemas começaram com a ausência de Hulk, que no esquema tático de Felipão funciona como um ponta direita. O primeiro erro de Scolari foi a escolha de Ramires para substituir Hulk. Além de queimar uma substituição perdeu a força ofensiva pela ponta direita, tendo em vista que Ramires costuma jogar centralizado e pouco apoia pelas pontas, assim servindo apenas para fazer a cobertura nas subidas de Daniel Alves.

Alias, ai esta outro grande problema da seleção brasileira - os laterais- que não estão bem . O Brasil joga no esquema 4-2-3-1. Luis Gustavo e Paulinho fazem a proteção da zaga, enquanto Neymar e Hulk tem liberdade pelas pontas e Oscar tem a incumbência da criação das jogadas pelo meio. O criticado atacante Fred tem a complicada missão de receber as bolas que dificilmente chegam e se virar para fazer o gol, mas até ai tudo bem. O problema é que para um centroavante como Fred funcionar, é necessário que os laterais também apoiem e cheguem ao fundo para fazer os cruzamentos, é isso não vem ocorrendo devido as duas péssimas partidas de Marcelo e Daniel Alves.

(Fox Sports)

Da maneira que a seleção brasileira esta jogando, tanto faz a presença de Fred, Jô, Diego Costa ou qualquer outro, o centroavante dificilmente irá funcionar. Na filosofia de jogo da equipe de Felipão, talvez fosse mais adequado jogar com Neymar fazendo a função de "falso 9". Neymar que mais uma vez não conseguiu jogar bem e a sorte não esteve ao seu lado desta vez como na estreia. E como agarra o tal do Ochoa! não por acaso, foi o melhor goleiro do campeonato francês. Grande Copa do Mundo!

Por: Vinicius Savioli

quinta-feira, 12 de junho de 2014



Depois de 59 anos de sua primeira edição, a Liga dos Campeões da Europa teve seu primeiro Derbi em uma Final. Talvez por coincidência do destino ou por ação dos deuses do futebol, o palco da partida foi na terrinha do craque merengue, Cristiano Ronaldo. E com todos esses ingredientes, mesmo possuindo incríveis 9 títulos da competição, o Real lutou como se fosse o primeiro.
Durante toda a década de 50 os Rojiblancos, como é conhecido o Atlético de Madrid, foi o maior adversário do Real Madrid e protagonizavam o maior clássico da Espanha. Contudo, após algum tempo o Barcelona passou a ser o maior rival do Real Madrid e assim o Atlético foi perdendo sua hegemonia. No entanto ainda são considerados o clube popular da cidade de Madrid.

E assim, depois de 59 anos do início da maior competição de clubes da Europa ressurgem os Rojiblancos de Madrid. Ainda considerados como uma grande surpresa, eliminaram aqueles que lhes roubaram o posto de "o grande rival de seu maior rival", o Barcelona! Ainda desbancaram o Chelsea na Inglaterra, antes da partida histórica contra o rival. 

A grande final era a oportunidade dos renegados de Madrid, que já haviam conquistado o titulo nacional da temporada, reconquistarem de vez seu status de ser o grande clube da cidade. E realmente foram - durante 93 minutos - e só. No entanto, preferiu o acaso que Cristiano Ronaldo tivesse sua definitiva coroação em Portugal, seu país de origem. E assim foi! O tempo parou no Estádio da Luz, Espanha e para todos os apaixonados por futebol no momento em que Sergio Ramos cabeceou entre os zagueiros e empatou a partida, causando uma catarse geral. E assim começava a "La décima" do Real e a "La tortura" do Atlético.

O que aconteceu após o empate do Real foi de fato um massacre físico e técnico de uma equipe sobre outra, que resultou em mais 3 gols dos merengues. Contudo, não será esta a angústia que carregará o torcedor Rojiblanco, e sim perder a oportunidade de recuperar definitivamente sua hegemonia sobre seu maior rival. Partidas como esta apagam méritos de títulos anteriores, criam vilões e heróis, dividem uma cidade e escrevem histórias sobre histórias. Imagina a semana em Madrid!



Por: Vinicius Savioli